Não falarei sobre o Oscar, ou apenas isso, falarei, dizendo que não falarei.
Acredito que uma das qualidades de um ser humano é poder estar sem ser.
É possível, mesmo não sendo fácil.
Ontem fomos passear na beira mar, sentamos num banquinho e ficamos olhando minha enteada mais nova brincar, de repente, passou em nossa frente um senhor catador de latinhas, cheio de latas em sacos na traseira da bicicleta, com uma caixa de som e um pen drive acoplado escutando música clássica.
Fiquei admirado com aquela cena, ele, um senhor de uns 70 anos, numa situação que muitos consideram degradante, catar latas em uma rua, com todos os percalços que a vida pode lhe proporcionar, encontra tempo e bom gosto para escutar música clássica.
Ele estava ali, numa situação complicada da vida e simplesmente não se identificava, aparentemente, e consequentemente tirava proveito apreciando uma bela música clássica.
Por vezes nos encontramos em locais, com pessoas ou as vezes assuntos que não nos agradam, o que quero dizer é que, é possível frequentar, conversar sobre tudo, sem que precisemos necessariamente sermos parecidos com as pessoas que estão no ambiente, que não gostamos, ou discutirmos de forma desnecessária sobre um assunto irrelevante, pois uma pessoa quando discute e quer falar alto, ela não escuta para entender e sim para responder.
Não se trata de falsidade e sim de não se identificar.
A não identificação é um processo diário e lento, porém engrandecedor.
Você pode estar sendo julgado por pessoas, amigos e mesmo assim, saber que aquela carapuça não lhe serve.
Está em um ambiente carregado no trabalho e conseguir admirar o sol se pondo pela janela.
Você pode está triste, mas simplesmente escolher em não ser triste.
Admirar o lado bom da vida, agradecer melhora.











